23 de março de 2017

Resposta: ''Destruindo de vez o tal feminismo individualista''

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De inicio, é crucial frisar a importância de não ignorar a história do feminismo. Quando uma pessoa se predispõe a ignorar a história, ele também ignora a teoria. Quando você se coloca como critico de um ideal, mas se posiciona contra a utilização da história, de sua teoria e de suas raízes, você terá uma enorme limitação argumentativa, e por vezes levado a desonestidade intelectual.
Evidente que a narrativa do autor é importante e o compromisso com a verdade também. Pressupor que a narrativa - por ser contraria ao que defende - não é verdadeira, é um equívoco fácil de solucionar. Basta buscar as fontes.
Quando defendo e exponho algo referente ao meu ideal, não peço que as pessoas acreditem rigorosamente no que eu digo. E sim que busquem fontes e essas mesmas corroboraram o que eu disse. Afinal o compromisso com a verdade, é uma das coisas mais importantes e que mostram o caráter da pessoa e as motivações.
Diferente dos outros ideais políticos, feminismo foi o nome dado a uma série de acontecimentos e indivíduos - que em sua época - defendiam direitos das mulheres.
Não apenas direitos, pois como a Olympe de Gougues¹ disse na Declaração pelos Direitos da Mulher e Cidadã ², a mulher como um individuo - igual ao homem - deve ter direitos e deveres dentro de uma comunidade.
Existe mais de um evento que é considerado o marco do Dia da Mulher. Não existe um start especifico. O suposto incêndio na fabrica em 1911, a manifestação de 1500 mulheres em prol de igualdade em 1908 nos Estados Unidos, a greve têxtil que fechou 500 fábricas americanas em 1909. As discussões que envolviam o Dia da Mulher, não definiam um evento start e sim que era a celebração de toda uma luta diante dos direitos da mulher em todo o Mundo.³
Uma curiosidade sobre esses eventos - que contradiz a proposta inicial no texto do Dramye - é que os eventos foram levantados por socialistas. Sendo assim, motivações e discussões que vieram de eventos e convenções socialistas e não de feministas individualistas. Não que isso seja de fato algo extremamente relevante para a critica.
O fato é que seja qual for o evento que tornou o Dia da Mulher uma data mundial, ou quais motivações os indivíduos atualmente tenham, não coloca em cheque o feminismo.
Particularmente, pouco me importo com o Dia da Mulher. A grande maioria das mulheres que festejam, tão pouco se importam qual evento é o start dele. Então vamos direto ao ponto e deixamos o rodeio para outro momento.
Utilizar uma história mal contada, um indivíduo desonesto ou qualquer ato de grupos de outras vertentes feministas, não é argumento e nem depõe contra a vertente feminismo individualista, vulgo feminismo libertário. Ou seja, se quer ser levado a sério em um debate sobre o tema, direcione suas argumentações ao tema.
Ignora claramente teóricos como Mary Wollstonecraff⁴, Olympe de Gouges, Marques de Condorcet⁵ ou até mesmo Stuart Mill⁶. Teóricos esses que são considerados pioneiros do feminismo como ideologia política.
Se podemos em algum momento defender a tese de que alguma ideologia foi surrupiada, de fato foi o feminismo. Ao longo das décadas foi se diluindo em vertentes. Ou seja, podemos concluir que foi a esquerda que 'sequestrou' o feminismo. Pois a base dele é individualista.
O que vemos é o clássico erro de querer usar uma régua para medir algo que não se adéqua a ela. Ou seja, argumentos sem base, muitas vezes usando ações de outros feminismos para questionar o feminismo individualista. Então vamos colocar alguns pontinhos nos ''is''.
O feminismo individualista busca prioritariamente a liberdade. A liberdade da mulher decidir por si só o que deseja da sua vida, seja pessoal ou profissional, e da sua propriedade (corpo). Se uma mulher deseja ser dona de casa ou empresária, isso é uma decisão exclusivamente dela e não de terceiros. Como Mary Wollstonecraff disse: ''Não desejo ter poder sobre os homens, mas sim sobre mim mesma.''.
A verdade é que não existe nenhum fato que corrobore a ideia de que feministas individualistas - no geral - são de fato coletivistas. Muito pelo contrario, e posso citar aqui algumas das principais teóricas e seu currículo para respaldar que somos - ao contrario do que tentam afirmar - individualistas. São elas:
Wendy McElroy⁷, feminista individualista, anarcocaptalista brutalista. Membro sênior do Clube Laissez-faire e professora no Mises Institute. Também foi co-fundadora junto com Carl Watner e George H. Smith da revista The Voluntaryist em 1982 e escreve artigos para Fox.
Sharon Presley⁸, ela é feminista individualista, libertária e psicóloga. Se apaixonou pela política quando começou a ler Ayn Rand. Ela se juntou aos Jovens Americanos pela Liberdade, ao Movimento de Liberdade de Expressão, aos Estudantes Opostos à Recrutamento e à Aliança de Ativistas Libertários (ALA). Em 1972 ajudou a lançar o Laissez-faire Book. Hoje é diretora da ALF - Association of Libertarian Feminist.
Camile Paglia⁹, se rótula como a mais anti-feminista FEMINISTA. Vista por muitos como uma feminista conservadora, a individualista é formada e muito conhecida pelas suas críticas sobre arte, cultura e política.
Christina Hoff Sommers¹°, feminista individualista escritora e formada em filosofia. Conhecida pelas suas críticas ao feminismo contemporâneo e tem como sucesso seu canal no YouTube ''The Factual Feminist'' e seu livro ''Who stole feminism''.

Podemos também citar outras mulheres que foram importantes, tanto no feminismo individualista quanto no libertarianismo moderno dos EUA. São elas:
Isabel Paterson¹¹ foi uma jornalista, filosofa politica e feminista que é considerada uma das três mães fundadoras do libertarianismo americano, junto com Rose Wilder Lane e Ayn Rand. O seu trabalho mais conhecido foi ''O Deus da Maquina'' de 1943. Escreveu também o livro ''Ladies for Liberty''.
Joan Kennedy Taylor ¹², foi uma jornalista e ativista política. Ela é mais conhecida por sua defesa do feminismo individualista e pelo seu papel no desenvolvimento do moderno movimento libertário americano. Escrevia para Libertarian Review, Reason, Libertário Cato Institute e Inquiry Magazine. Passou um breve tempo como editora do The Freeman, a mais antiga revista libertária do mercado. Foi coordenadora da ALF. Foi aluna, parceira e amiga da Ayn Rand.

Feministas individualistas conceituadas e muitas vezes citadas como ícones do libertarianismo e do liberalismo. Mulheres que tem artigos libertários e são notoriamente conhecidas pelo seu empenho em propagar o libertarianismo.
O feminismo nasceu de individualistas como Mary Wollstonecraff, Olympe de Gouges, Lucretia Mott, Voltairine de Cleyre, Marques de Condorcet e outros. A teoria é individualista desde os primórdios até a atualidade.


''Estas são levadas para um outro grupo onde são doutrinadas com perversões de inspeção da realidade que levam somente a vivência e a emoção em consideração para desconstrução do que é objetivo e dar interpretações subjetivas, demonstrando irracionalidade e se eximindo de qualquer compromisso com a logica, enchendo-as com jargões bobos e viciados.'' - Felipe Drayme


Nenhum individuo é levado para um grupo, eles entram por livre vontade. Existem grandes debates sobre vários assuntos no qual todos indivíduos são livres para debater, concordar ou discordar. Tanto o meu grupo quanto o grupo do ALF, os indivíduos tem liberdade para debater civilizadamente sem quaisquer punição.
Não existe uma doutrinação ou uma imposição. E sinceramente não existe NADA que corrobore isso. São apenas suposições com doses de desespero para afirmar algo que não existe, a não ser no imaginário de alguns indivíduos ávidos para atacar o feminismo individualista.
O feminismo individualista data do século XVIII, de pensadores anarquistas e liberais. Diferente do feminismo coletivista que é datado por volta de 1920 na URSS e 1940 no resto do Mundo. Sendo assim, é irrisória a ideia de que feministas individualistas sejam uma espécie de Cavalo de Troia da esquerda. Tese tão estapafúrdia que beira a teoria da conspiração, diga-se de passagem.
Feministas individualistas são armamentistas e capitalistas. Defendem direitos negativos. São contra o paternalismo estatal, cotas e privilégios. Criticam arduamente o feminismo mainstream,Teoria Queer, recorte de classes ou a famosa ''olimpíada da opressão''. Criticamos a tese que vivemos em um patriarcado e uma cultura do estupro.
As feministas individualistas defendem que a menor minoria é o individuo. Não negamos a biologia, não apoiamos extremistas. Defendemos o individualismo e acima de tudo somos as mais anti-feministas feministas.
Vale ressaltar que apesar da maioria das feministas individualistas serem libertárias e que o nome popular é feminismo libertário, o mesmo é uma vertente do feminismo e não do libertarianismo. Contudo não impede libertários se unirem e se rotularem como tal, desde que se baseiem na ética libertaria e no individualismo politico.
Os XY1, XY2 e por ai em diante nada mais são do que indivíduos ligados por determinadas características (coletivos). Esses mesmos podem - diante de suas características - se unirem em grupos por livre associação, não sobrepondo os interesses do coletivo em detrimento do individuo. Assim defendendo que cada individuo tem direitos negativos e autonomia para decidir por si mesmo.
Essa livre associação de indivíduos, podem abordar vários assuntos que tenham em comum e encontrar meios para solucionar essas questões, desde que não exista a interferência de um ''Deus Estado'' e nem coerção.
Abaixo um vídeo da Joan Kennedy Taylor que explica a questão da livre associação e o feminismo individualista (Libertarian Feminist)


Sendo assim, um libertário pode ser um feminista, pois não estará traindo suas convicções libertarias e estará mantendo a coerência em seu ativismo, conforme a ética libertaria e o conceito politico individualista.
É incrível que um direito básico e fundamental de todos os indivíduos, a liberdade de associação, esteja sob crescente ataque de indivíduos que se dizem libertários. Desde quando um principio libertário se tornou tão anti-libertário na boca desse povo?
Para quem começou seu texto falando sobre verdade, termina mostrando que é exatamente isso que lhe falta.


Link do texto: http://olibertario.com.br/wp/blog/2017/03/21/descartando-o-tal-feminismo-individualista-do-libertarianismo/

Bibliografias/Links:

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